Ciclo do Ouro 1700 a 1750

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Ciclo do Ouro

A prospecção economicamente viável do ouro no Brasil ocorreu a partir de 1695, quando Paraty possuía o único caminho que ligava o Rio de Janeiro às minas, num percurso marítimo-terrestre que durava aproximadamente quarenta dias. Por sua posição estratégica e para evitar os descaminhos do ouro e o contrabando de diamante, em 1702 o governador do Rio de Janeiro torna obrigatório o uso do porto de Paraty para embarque do ouro vindo das “minas gerais”. Em 1703 foram criadas as Casas de Registro de Paraty e de Santos, fechando todas as demais. Pelo porto de Santos eram embarcadas as riquezas de Goiás e Mato Grosso e pelo de Paraty chegava o ouro das “minas gerais”.

 Para proteger o ouro e o caminho de acesso para as minas dos piratas, foram construídas em 1703 a fortaleza da Patitiba, junto ao rio de mesmo nome, e a fortaleza localizada no atual Morro do Forte.


 Estrada calçada com pedras, utilizada para cruzar a serra de Paraty em direção às minas. 

 Estima-se em mais de cento e cinquenta mil o número de portugueses que chegaram ao Brasil em busca do ouro e que, sendo o único caminho para as minas, obrigatoriamente passaram por Paraty. Limitada geograficamente para desenvolver a agricultura, a vila se dedicava ao comércio. Nessa época seu porto era o segundo mais movimentado do país, perdendo apenas para o do Rio de Janeiro.

 Em 1710 foi terminado o Caminho Novo, iniciado por Garcia Rodrigues Paes em 1701, ligando o Rio de Janeiro direto às minas, num trajeto vinte e cinco dias mais curto que o caminho por Paraty. A Trilha Guaianás ou Trilha do Facão que passava por Paraty ficou então conhecida como Caminho Velho e o caminho que ligava as minas à Bahia era o Caminho do Sertão. Nesse ano, para facilitar o controle do ouro extraído, foi proibido o uso do Caminho Velho. Entretanto, devido à falta de alimento que ocorria nas minas e à pressão do povo paratienses, o Caminho Velho foi novamente liberado, mas apenas para viagens de ida, sendo proibido voltar por outro caminho que não fosse o Caminho Novo.

Umas da formas para “legalizar” o contrabando de ouro era transformar o metal em joias, taças, perfumadores, broches e outros adornos. Para melhor fiscalizar o ouro, as autoridades concentraram todos os ourives numa única rua de Paraty.

A criação da Casa do Quinto, quartéis, postos de fiscalização trouxe grande quantidade de funcionários públicos para a vila, que se estabeleceram no local.

Com a demanda de produtos para atender a população das minas, Paraty passou de simples centro distribuidor de artigos - como o sal vindo de Pernambuco, azeite, vinho, caldeirões de cobres para produção de aguardente e manufaturados vindos da Europa - para produtor de gêneros alimentícios (feijão, milho, farinha de mandioca, queijo, rapadura, ovos, toucinho e legumes diversos). O comércio e a distribuição de artigos que chegavam pelos navios e a produção de gêneros alimentícios foram o sustentáculo da economia de Paraty desde sua origem até o ano de 1870.

Na verdade, o ouro em si não trouxe prosperidade para a cidade. O período de escoamento do ouro através do porto de Paraty foi curto - aproximadamente 15 anos - período em que as minas estavam sendo descobertas e ainda não havia grande quantidade do metal. Na Casa de Registro de Paraty junto ao pé da serra havia apenas um sargento, dois soldados e um escrivão para fazer a cobrança do Quinto (imposto de 20% sobre o ouro).

Em 1717 Paraty ainda era descrita como uma pequena vila com menos de 50 casas. Não existia um bom cais e por isso o embarque e desembarque eram realizados pela praia ou pelas margens dos rios. Apenas em 1726 foi construído um cais, provavelmente de pedra, que também servia como uma espécie de trincheira em caso de ataques inimigos.

Graças ao comércio gerado em função do Ciclo do Ouro, ocorreu um crescimento econômico e populacional na vila. Apesar do Caminho Novo estar aberto desde 1710, ligando o Rio de Janeiro direto às minas, o Caminho Velho (via Paraty) era preferido para cargas mais pesadas pois podia ser transportada em lombo de burro, enquanto o Caminho Novo só podia ser transportada por escravos, de tão ruim que era aquela estrada (os melhoramentos necessários só foram terminados em 1767). Em 1722 é erguida a Igreja de Santa Rita e em 1725 a Igreja do Rosário. Em 1787 derruba-se novamente a Matriz para se fazer uma maior e definitiva. Em 1790 já havia 392 casas, sendo 35 sobrados, e a população era de 6.622 habitantes.