Saco do Mamanguá em Paraty

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Saco do Mamanguá 

Muitos são os epítetos para descrever o Saco do Mamanguá - fiorde tropical, berçário marinho, reduto tradicional de caiçaras, paraíso – mas somente a soma deles poderia dar a ideia completa do local.

Mamanguá é um braço de mar que entra em linha reta terra adentro, com oito quilômetros de extensão por um quilômetro de largura. Possui montanhas altas em ambos os lados e, ao fundo, em formato de bota, encontra-se o maior e mais conservado manguezal da baía da Ilha Grande.


Vista do fundo do Saco do Mamanguá a partir do pico do Pão de Açúcar. Foto: Eduardo La Regina de Andrade

Segundo o dicionário Aurélio, fiorde é um “golfo estreito e profundo, entre montanhas altas” o que poderia se enquadrar no caso do Mamanguá. Na Noruega, país onde a palavra fiorde (fjord) se originou, as montanhas dos fiordes terminam abruptamente no mar, diferente do Saco do Mamanguá, onde normalmente há uma estreita faixa plana antes da montanha atingir a água. Nessa faixa encontram-se pelo menos 30 praias permanentes (aquelas a quais a maré cheia não cobre) mais um número parecido de pequenas praias que ficam submersas na maré cheia.

O acesso ao Mamanguá se dá pelo mar ou por longas trilhas iniciando desde Paraty-Mirim ou Laranjeiras. Por mar, dista doze milhas (ou dezenove quilômetros) do centro histórico até a entrada do Saco (e mais oito quilômetros até o final). Esse fato torna demorado e, talvez cansativo, alugar uma baleeira para conhecer o local (as escunas normalmente não fazem esse roteiro por causa da distância), sendo mais recomendável alugar uma lancha desde Paraty ou um bote com motor de popa ou uma baleeira desde Paraty-Mirim (para isso deve-se ir de carro ou ônibus até a praia de Paraty-Mirim, onde esses barcos normalmente se encontram).

Além dos passeios pelas praias, o Saco do Mamanguá possui várias trilhas, das quais a trilha do Pão de Açúcar é uma das mais bonitas. A caminhada de aproximadamente uma hora levará a mais bela vista da região. Há também trilhas que partem de Laranjeiras e de Paraty-Mirim e outras que contornam o Saco do Mamanguá pela costa, passando pelas praias. 

Um programa diferente é passear de caiaque pelo rio Cairuçu, localizado no fundo do Saco do Mamanguá. Na medida em que navega pelo rio, a paisagem gradativamente muda de mangue para floresta. O ponto alto do passeio é um mergulho na cachoeira (na verdade, uma piscina natural de água transparente) localizada a dez minutos de caminha após navegar com o caiaque por vinte minutos até o máximo possível, limitado por pedras.

Por ser um braço de mar, o Mamanguá está protegido das correntes marinhas e das ondulações maiores, possuindo uma temperatura de água superior às outras regiões. Essas características, aliada ao fato de haver um manguezal no seu fundo, faz do Mamanguá um berçário natural de peixes, crustáceos (especialmente camarões) e moluscos.

O Saco do Mamanguá é protegido por leis ambientais, estando ao mesmo tempo dentro da Reserva Ecológica da Juatinga e da Área de Proteção Ambiental do Cairuçu.

O fato de não existir estradas de acesso e, mesmo pelo mar, ser uma região mais afastada da cidade, manteve preservada a cultura caiçara. Entretanto, devido à diminuição da pesca e à exploração turística e imobiliária, representada pela presença de pousadas, restaurantes e casas de veraneio, essa cultura vem se alterando: a nova geração pouco conhece das tradicionais técnicas de pescas, construção naval, fabricação de redes e covos, medicina caseira, produção artesanal de farinha de mandioca e, músicas e danças como a ciranda e o marrafá. A maioria dos moradores locais (há pequenas vilas de pescadores e, a maior delas localizada na praia do Cruzeiro) trabalha nas casas de veraneios. Alguns têm pequenos barcos para turismo, outros ainda vivem da pesca e, um número menor fazendo artesanato, como barquinhos em caixeta, uma madeira local de cor branco-palha, leve e macia ao corte, da espécie Tabebuia cassiniodes.

Pode-se dormir no Saco do Mamanguá hospedando-se em pequenas pousadas, alugando casas de veraneio (www.acparaty.com.br) ou acampando em locais permitidos, limitados aos quintais das casas dos moradores, normalmente de frente para a praia. Há três ou quatro restaurantes caiçaras com excelente comida (peixe fresquíssimos) em alguns pontos Mamanguá. 


Navegando pelo Saco do Mamanguá Foto: Sérgio Pinheiro